O Hinduísmo Imprimir

Hinduísmo não designa propriamente uma única religião. O termo Hinduísmo surgiu no século XIX a partir de duas idéias falsas: a) Acreditava-se que a palavra hindu designasse membros de uma religião e b) imaginava-se que os indianos fosse todos adeptos desta religião, quando não eram adeptos de alguma outra religião conhecida (cristão, judeu, muçulmano). A palavra hindu vem porém do grande rio Indus, que deu o nome aos habitantes do país (Índia). Esta designação “Hinduísmo” causa até hoje confusão por ser entendida como sendo uma única religião. Na verdade é um nome coletivo para indicar um grupo de religiões, aparentadas, mas diferentes entre si, que surgiram na região sul-asiática (Índia, Paquistão e Bangladesh). Estas religiões tem diferentes compreensões de Deus, diferentes escrituras e diferentes práticas rituais. Mas ao mesmo tempo não são totalmente diferentes entre si, de modo que também há pontos de identificação. Estas tradições religiosas hinduístas, são as mais antigas organizações religiosas da humanidade que sobrevivem até hoje. Já pelo ano de 1800 antes de Cristo se tem notícias destas tradições religiosas, quando a região da atual Índia e Paquistão foi invadida pelos povos indo-europeus. Estes introduziram no país uma religião baseada no culto e sacrifícios a muitos deuses. São deuses ligados muitas vezes a determinados locais, a determinadas atividades ou fenômenos naturais. O culto aos deuses garantia o bem-estar na vida, as boas colheitas, a proteção na guerra, o bom desenvolvimento dos rebanhos, as chuvas no tempo certo, etc. Estes cultos aos deuses praticados então foram escritos em livros sagrados para as tradições, os chamados Vedas, palavra que quer dizer “saber”. Ao todo são quatro conjuntos de escritos chamados de Vedas e são os escritos religiosos mais antigos da humanidade. Aos poucos os sacerdotes que dominavam a arte dos sacrifícios aos deuses e suas fórmulas passaram a ter grande influência na sociedade. Estes sacerdotes são chamados de Bramanes. Por isso a religião do período em que eles tiveram grande influencia sobre a sociedade também é chamado de Bramanismo. Aos poucos começa a surgir um movimento de oposição a esta dependência dos sacerdotes e seus rituais. Surgiram as idéias de libertação da dependência do culto aos deuses. Com esta renovação dentro das tradições religiosas, surgiram idéias que até hoje muito influenciam as tradições hinduístas. As principais idéias desta reforma religiosa de busca de libertação da dependência do culto aos deuses são: a) A crença na existência cíclica. Esta idéia, chamada de Samsara, entende que a existência de todos os seres é cíclica. Cada existência individual é eterna e sempre retorna à vida em uma nova existência. Esta volta é determinada pela chamada lei do Carma. O Carma é o que se acumula durante uma existência e vai marcar a sua existência seguinte. Cada pessoa tem o seu Carma e ao Carma de uma pessoa pertence a soma dos seus pensamentos, sentimentos, desejos e atos. Assim cada qual pode em sua vida compor um melhor ou pior Carma para uma próxima existência. O que porém reencarna? A alma? O espírito? Há nas religiões hinduístas um conceito para indicar o “eu” que se reencarna: o Atman. O Atman é a individualidade que permanece através das reencarnações. Estas idéias apareceram a partir do ano 800 antes de Cristo e há um conjunto de escritos antigos que as reuniram. Estes escritos são os chamados Upanixades. As tradições religiosas do culto e sacrifícios aos deuses não desapareceram. Elas continuam existindo ao lado das compreensões surgidas com a reforma religiosa. Assim há três deuses que muito aparecem nos cultos hinduístas: Brahma, Vixnu e Xiva. Brahma é o deus criador, iniciador das coisas; Vixnu é o deus mantenedor da existência e Xiva é o deus destruidor, o deus da morte, mas que leva ao renascimento. Outra característica das diversas tradições hinduístas é a compreensão de que a sociedade é dividida em castas. Ou seja, cada pessoa, pelo seu nascimento pertence a uma casta. Estas são quatro, na seguinte ordem de importância: os bramanes, que é a casta dos sacerdotes, dos responsáveis pelo culto, pelos sacrifícios e pela religião; os xátrias, que é a casta dos nobres e guerreiros; os vaixias, que é a casta dos produtores, dos comerciantes e os xudras, que é a casta dos servos. Pelo nascimento a pessoa pertence automaticamente a uma casta e somente numa próxima encarnação pode pertencer a uma casta melhor, dependendo do seu carma. As pessoas que não pertencem a nenhuma casta, por exemplo, os estrangeiros, são chamados de párias, que formam os sem-casta. As tradições religiosas da Índia pouco saíram de seu país e por isso pouco são conhecidas fora dele. A partir do século XIX, porém, surgiram os chamados movimentos neo-hinduístas. Estes espalharam-se por muitos outros países, de tal modo que o que às vezes conhecemos como hinduísmo em nosso país, é apenas uma pequena parcela das muitas tradições religiosas existentes na Índia. Mesmo pertencendo a diferentes cultos e tradições religiosas, praticamente todos estes grupos colocam um objetivo de vida para as pessoas: atingir o que chamam de mocsa. Este é um estado de libertação. Ele não é um estado pós morte. Ao contrário, alguém que alcançou este estágio, continua vivendo como todos os outros e ainda mais, goza de liberdade interior e tem o domínio perfeito tanto sobre seu espírito, como sobre seu corpo. Para alcançar este estado, existem três caminhos: o caminho da dedicação aos outros, da caridade; o caminho da dedicação aos deuses e à sua veneração; e o caminho da meditação, da reflexão. Este último caminho também se tornou muito conhecido em outros países com o nome de Yoga.

Prof. Volney J. Berkenbrock