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Volney Berkenbrock
O Confucionismo PDF Imprimir E-mail
Escrito por Webmaster   
Qui, 09 de Setembro de 2010 15:28

A religião do Confucionismo é uma tradição vinda da China. Como também outra grande tradição chinesa, o Taoísmo, o Confucionismo tem seu lado de religiosidade popular e seu lado de filosofia de vida, de maneira de entender o mundo. Esta filosofia de vida foi desenvolvida por um mestre, Confúcio. Esta palavra vem do Chinês K’ung Fu’tzu, que quer dizer o mestre K’ung, cujo nome é K’ung Ch’iu. Mas entre nós aqui no Brasil fala-se simplesmente Confúcio. Este teria nascido por volta de 550 antes de Cristo e morrido por volta de 480 antes de Cristo. Confúcio nasceu no estado chinês de Lu. Não apenas o seu estado, mas todo o império chinês da época estava em grande decadência tanto moral como principalmente de organização. Em meio a esta situação, Confúcio aparece como alguém que tinha uma proposta para o seu tempo. Ele centrou sua proposta e reflexão sobre a situação humana. E sua proposta muito veio a influenciar toda a cultura chinesa até hoje. Vejamos um pouco mais, porém, sobre sua história e seus ensinamentos. A tradição diz que Confúcio era o mestre dos nobres em seu estado. A ele cabia ensinar a arte de governar. Também teria ele exercido atividade de funcionário público e chefe da administração da cidade. Esta foi a grande tarefa que Confúcio mesmo se deu: pensar sobre como organizar a ordem e a sociedade de tal maneira que as pessoas possam ser felizes e que tudo esteja em ordem. Sua carreira de funcionário público, diz a tradição, encerrou-se porém de maneira abrupta: certa ocasião o príncipe do estado vizinho mandou de presente ao príncipe do estado onde Confúcio era mestre um grupo de cantoras e músicas. Para poder alegrar-se com o presente, o príncipe suspendeu por três dias as audiências no palácio. Confúcio ficou tão revoltado que abandonou o palácio e nunca mais voltou. Passou então por estados vizinhos oferecendo seu serviço a eles, mas nenhum deles o acolheu. Por treze anos teria peregrinado com um grupo de discípulos. Não tendo alcançado sucesso, o mestre volta ao estado de Lu. Como nenhuma instância estatal tivesse contratado seus préstimos, o mestre resolve fundar uma escola para discípulos com o objetivo de recuperar e ensinar as tradições da China. Teve grande sucesso em seu empreendimento. Diz a tradição que sua escola chegou a ter 3 mil alunos. Ali dedicou-se a ensinar e a recolher por escrito a grande tradição da China, já um pouco esquecida. As obras que ele colocou por escrito formam o conjunto de textos que mais influenciou toda a história da China posteriormente. Mas o que propunha Confúcio e os seus discípulos? Ele entende que existe uma ordem das coisas e tudo só vai funcionar se for seguida esta ordem. A esta ordem ele chama de TAO, mas não no sentido que os taoístas usam e sim num novo sentido: o TAO é a ordem das relações. O mestre entende que há uma ordem (organização) básica nas relações entre as pessoas. Esta ordem nas relações entre as pessoas pode ser seguida para toda a sociedade e para todo o império. Sua idéia é: a ordem que funciona no pequeno, também funciona no todo. Tudo é a mesma ordem. Pensando sobre as relações humanas que compõem esta ordem, Confúcio propõe cinco relações básicas: As cinco relações: a relação entre governante e súdito; entre pai(mãe) e filho(a); entre esposo e esposa; entre irmão(ã) mais velho(a) e irmão(ã) mais novo(a) e a relação entre amigo(a) e amigo(a). Estas relações tem uma ordem pré-determinada. Assim o súdito deve obedecer o governante, os filhos devem obedecer aos pais, as esposas devem obedecer aos esposos, os irmãos mais novos devem obedecer aos irmãos mais velhos e somente entre amigos há uma relação de igualdade. É responsabilidade de cada pessoa saber qual é o seu lugar nestas relações e agir sempre conforme a sua posição. Esta ordem que funciona nas relações entre as pessoas deve ser a ordem que funciona e governa o todo da sociedade e inclusive todo o império. Como porém, devem ser marcadas estas relações? Para Confúcio, as diversas relações devem ser sempre marcadas pela virtude do “jen”, que significa muitas coisas como bondade, humanismo, bem-estar. Nela está a compreensão de amor ao próximo, integridade pessoal e altruísmo. Pregar a virtude do “jen” na relações humanas foi a grande tarefa de Confúcio. Com isto a proposta de Confúcio influenciou toda a sociedade chinesa depois dele. Alguns séculos após a sua morte, a sua doutrina foi adotada como doutrina oficial da China e saber os seus ensinamentos era obrigatório para todas as pessoas que quisessem exercer o ofício de mestre ou professor. De onde vem, porém, esta ordem nas relações propostas por Confúcio? Ele crê que não é sua esta proposta. Aí entra um outro conceito importante para Confúcio: o T’ien (céu). O T’ien é o poder superior, a partir do qual se ordena toda a existência. Todo o sistema da organização social, das relações entre as pessoas, tem sua legitimação a partir da ordem do T’ien. A ordem implantada ou proposta por Confúcio, ele não entende como sendo a sua ordem, mas sim a ordem do T’ien e por isso a única ordem.

Prof. Volney J. Berkenbrock